Eu sou Malala, a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã

Malalap1Ela ficou mundialmente conhecida pelo atentado que sofreu do Talibã, no Paquistão, quando voltava da aula no dia 9 de outubro de 2012. Malala foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus enquanto voltava da escola naquele dia. Motivo? Entender que ela e suas amigas, assim como milhares de outras meninas, teriam o direito de ir à escola e terem acesso a uma educação básica, da mesma forma como os meninos e outras crianças ao redor do mundo teriam.

Mas não é sobre este terrível atentado que quero tratar aqui nesse texto. Quero aproveitar a leitura da autobiografia Eu sou Malala para falar sobre um fato na história dela que – muitos de nós desconhece –,  mas explica muito, na verdade explica tudo, sobre a coragem e sobre a história dessa figura incrível que merece toda a nossa admiração.

Malala foi criada num lar que valorizava a educação e contava com apoio incondicional de um pai que não fazia diferença entre ela e seus dois irmãos quando o assunto era uma menina ser livre para ser que o que ela quisesse ser na vida. Malala cresceu em um lar que valorizava os livros e o pensamento crítico.

“ Eu lia livros como Ana Karenina, de Leon Tolstói e os romances de Jane Austen. Confiava nas palavras de meu pai: ’ Malala é livre como um pássaro’. Quando ouvia as histórias sobre as atrocidades que aconteciam no Paquistão, eu celebrava o Swat. Aqui uma menina pode ir à escola, eu dizia”.

Malala 2

O Swat faz parte de uma província do território paquistanês. O doce vale onde nasceu Malala. Um lugar segundo ela descreve no livro “ mais lindo do mundo, meu vale, o vale do Swat é um reino celestial de montanhas, cachoeiras generosas e lagos de água cristalina” até o dia em que o talibã invadiu a província e passou a controlar tudo. A primeira coisa que fizeram foi se apropriar dos poucos meios de comunicação. Como a maioria da população era analfabeta, o principal meio de comunicação era o rádio.  Logo os talibãs passaram a usar a estação de rádio para transmitir suas mensagens de “reformadores islâmicos “ e “bons interpretes do Corão”, em questão de dias, eles já estavam proibindo os aparelhos de TV, os filmes estrangeiros e muito rapidamente estavam fechando as escolas femininas.

“Foi anunciado na rádio que todas as escolas femininas seriam fechadas. A partir de 15 de janeiro de 2008 as meninas estavam proibidas de frequentar uma escola.”

O pai de Malala é professor. Ele possuia escolas no Paquistão e até os últimos momentos ele lutou pela educação no país mesmo em meio a ameaças ao que ele tinha de mais precioso: seus filhos e sua esposa.

“ Meu pai costumava dizer que o povo do Swat haveria de continuar a educar seus filhos enquanto a última sala, o último professor e o último aluno estivessem vivos. Meus pais nunca me aconselharam a abandonar a escola…Embora amássemos estudar, só nos demos conta de quanto a educação é importante quando o talibã tentou nos roubar esse direito.

Bem… o desfecho dessa história nós já sabemos, Malala e sua família, infelizmente, tiveram que sair do Paquistão, mas a sua luta pela educação continuou. Após o atentado ela vive com sua família no Reino Unido. Porém sua história ganhou o mundo, a sua coragem marcou para sempre a história do Paquistão e a de nós mulheres.

Esse é um livro que todas nós deveríamos ter em nossas estantes. E compartilho aqui o meu desejo, o de Malala, o de todos nós: que todas as crianças do mundo possam ter acesso à educação gratuita e de qualidade. E que cotidianamente a gente possa se dar conta do quanto a educação é importante …

 

Ficha técnica do livro

Título: Eu sou Malala

Autor: Malala Yousafzai com Christina Lamb

Editora: Companhia das Letras

Ano: 2013

Edição: 1ª edição

Total de Páginas: 342

Sinopse oficial: Quando o Talibã tomou controle do vale do Swat, uma menina levantou a voz. Malala Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou pelo seu direito à educação. Mas em 9 de outubro de 2012, uma terça-feira, ela quase pagou o preço com a vida. Malala foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus no qual voltava da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria. Mas a recuperação milagrosa de Malala a levou em uma viagem extraordinária de um vale remoto no norte do Paquistão para as salas das Nações Unidas em Nova York. Aos dezesseis anos, ela se tornou um símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem da história a receber o Prêmio Nobel da Paz. Eu sou Malala é a história de uma família exilada pelo terrorismo global, da luta pelo direito à educação feminina e dos obstáculos à valorização da mulher em uma sociedade que valoriza filhos homens. O livro acompanha a infância da garota no Paquistão, os primeiros anos de vida escolar, as asperezas da vida numa região marcada pela desigualdade social, as belezas do deserto e as trevas da vida sob o Talibã. Escrito em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb, este livro é uma janela para a singularidade poderosa de uma menina cheia de brio e talento, mas também para um universo religioso e cultural cheio de interdições e particularidades, muitas vezes incompreendido pelo Ocidente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s