O velho e o mar

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Imagem:  http://www.contioutra.com

É a segunda vez que leio este clássico da literatura mundial, escrito por Ernest Hemingway em 1951 enquanto ele estava em Cuba. E vou me propor a fazer um exercício nesta resenha. Colocarei aqui as minhas impressões atuais sobre o livro e depois irei revisitar o que escrevi sobre a obra na primeira vez em que a li . Confesso que me lembrava um pouco do enredo mas não me lembro exatamente quais pontos sobre esse clássico me chamaram atenção, há mais ou menos três ou quatro anos, quando o li pela primeira vez.

Enquanto escrevo esse texto tento puxar pela memória algumas dessas partes, mas são memorias meio turvas, portanto vamos  às impressões de agora que é o que importa. Mais adiante a gente confere essas impressões anteriores.

O clássico O velho e o mar nos conta a história do experiente pescador Santiago. Acostumado a sua corriqueira pescaria, atividade que exerceu durante toda a sua vida, Santiago saia todos os dias para o mar. O retorno sempre era carregado de muitos peixes e de um punhado de casos para contar. Mas essa história começou tomar novos rumos e o que era certo de repente passou não ser mais tão certo assim.

De repente, Santiago saia para pescar, passava o dia em alto mar e nenhum peixe sequer aparecia na sua rede. O que aconteceu? De repente tudo mudou? A sua “má sorte” foi tanta que passou a chamar a atenção dos outros pescadores.

Contrariado com essa situação, o velho pescador parte sozinho para uma jornada em alto mar e ai está o desenrolar dessa história. Nos quase três meses em que passa no mar – numa verdadeira e longa quarentena – o pescador vive um encontro consigo mesmo. A meu ver esse livro é uma grande metáfora do encontro do homem consigo. Todo tempo, os diálogos do pescador evocam metaforicamente essa busca por si ao longo dessa jornada.  Ao final desse longo período, ele consegue pescar um peixe imenso e ai temos uma série de desafios a serem transpostos para que consiga sozinho fisgar esse peixe e traze-lo de volta a vila.

A persistência, o desafio, o confiar em suas próprias forças para transpor as dificuldades e os percalços naturais impostos mas ainda assim a alegria de trilhar uma jornada são temas recorrentes nessa obra.

Em meio a isso tudo um personagem chama atenção e eu não poderia finalizar essa resenha sem mencioná-lo. É o jovem Manolin, um garoto filho de outro pescador que ajudava Santiago no barco. Embora tenha enfrentado sozinho a sua luta com o peixe gigante, Santiago sempre contou com o apoio e carinho de Manolin, um dos seus incentivadores para que ele partisse em sua jornada transformadora rumo ao alto mar.

Essa minha segunda leitura de O velho e o mar foi de uma versão em espanhol do clássico (El viejo y el mar, uma edição muito preciosa que um amigo me emprestou, acho que encontrada em um sebo) e gostaria de destacar uma passagem que me marcou muito nessa leitura e na primeira vez também (desse trecho eu me lembro).

“ Pero, pensó el viejo , yo los mantengo (los sedales) con precisión. Lo que pasa es que ya no tengo suerte. Pero quien sabe? Acaso hoy. Cada dia es um nuevo dia. Es mejor tener suerte. Pero yo prefiero ser exacto. Luego, cuando venga la suerte, estaré dispuesto.” Santiago

 

Agora vou em busca dos meus escritos anteriores e compartilharei aqui na sequência com vocês.


HEMINGWAY, Ernest. O velho e o mar; tradução de Fernando de Castro Ferro. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2016. 126 pgs. Livro de estréia da minha “playlivros” 2017. Considerado um clássico da literatura contemporânea, a obra conta a historia de um pescador, Santiago, que, depois de ficar 84 dias sem pescar um peixe, parte para uma jornada em alto-mar na qual acaba fisgando um maior que a sua própria embarcação. Sozinhos, o ” velho e o mar” , o homem e a sua solidão, lutando cara a cara com seus medos, tendo como armas apenas a persistência e suas convicções, movido apenas pelos seus pensamentos e sonhos, numa luta para fisgar um peixe de tamanho fora do comum.

A narrativa lembra um pouco a de uma grande reportagem, talvez por influência da profissão do autor – Hemingway trabalhou como repórter para jornais canadenses e americanos . O livro apresenta algumas passagens essencialmente descritivas que criam uma atmosfera monótona e lenta, que faz com que a leitura muitas vezes se torne vagarosa, dificil de avançar, mas pensando bem, tem tudo a ver com o cenário no qual se desenvolve a maior parte do enredo, o mar alto.  Somente ao concluir o texto, a gente capta a essência do personagem com a sua inabalável confiança na vida. Merece destaque na historia também a postura do menino Manolin que foi proibido pelos pais de sair para pescar com o velho, mas ainda assim manteve a sua amizade, carinho e lealdade ao pescador até o fim. ” Cada dia é um novo dia. É melhor ter sorte. Mas eu prefiro fazer as coisas sempre bem. Então, se a sorte me sorrir, estou preparado”, ahh eu também Santiago  PS: E.Hemingway venceu o nobel de literatura em 1954 , em função do ” seu poderoso domínio da arte da narração moderna, mais recentemente evidenciado em O Velho e o Mar, e pela influência que exerceu sobre o estilo contemporâneo”


Com uns errinhos de português ali, uma resenha mais centrada na história e no livro, mas a essência é a mesma. E, curiosamente, nas duas versões o encerramento foi o mesmo. É bem legal esse exercício.  Revisitar a minha visão do livro em 2017. Façam isso, leiam um livro, escrevam sobre ele e depois de um tempo voltem a ler o que escreveram. Acho que um excelente exercício literário de autoconhecimento. Recomendo.

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Ernest Hemingway em Cojimar Harbor, Cuba, em 1952 (Alfred Eisenstaedt/Time Life Pictures/Getty Images)

2 comentários sobre “O velho e o mar

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