A máscara

Brasília, 11 de abril de 2020

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EM TEMPOS de incontáveis compartilhamentos de imagens e de informações nas redes sociais, uma ilustração me chamou atenção de uma maneira muito especial. É uma moça com uma máscara em forma de um livro. Eu recebi de uma amiga que ao me enviar escreveu:  “Lembrei de você”.

Esse desenho me tocou de uma forma muito particular porque, para além desse tempo de pandemia em que vivemos, os livros sempre foram para mim uma proteção. Portanto, a imagem caiu como uma luva, ou melhor dizendo, como uma máscara. Sempre encontrei nas páginas desse velho amigo o refúgio necessário para transpor as preocupações, os dilemas da existência, os problemas práticos do cotidiano. Nas entrelinhas de cada história lida sempre me senti acolhida e abraçada.

Os livros me acompanham desde pequena. Na infância, era atraída por eles de uma maneira extremamente mágica.  Não podia ver um livro num cantinho esquecido por seu dono que lá ia eu folhear suas páginas e lhes dar a atenção necessária.  Foi assim que li, bem antes de ver o filme, Branca de Neve e os Sete Anões – esse livro não era meu, minha melhor amiga da infância havia ganhado ele e esqueceu na minha casa, eu só o devolvi depois de ter lido, ela nem notou a ausência do amigão e acho que nunca chegou a lê-lo; depois foi a A ilha perdida de Maria José Dupre (da coleção vagalume, quem aí não se lembra dessa coleção), me recordo que meu tio mais novo pegou esse livro na biblioteca para fazer um trabalho de escola, enquanto ele enrolava para lê-lo eu o devorei numa sentada. E assim continuei sacudindo a poeira das páginas de Dom Quixote há anos esquecido nas prateleiras de uma estante no apartamento da minha tia.

Na adolescência eu dizia, ‘não vejo a hora de passar no vestibular’. Quero ter tempo para ler todos esses livros da literatura brasileira. Hoje venho lendo muito, mas muitos textos técnicos, jornalísticos, informativos. Porém essa é uma leitura que não substitui o prazer e os benefícios da leitura sem compromisso, sem hora marcada, aquela que te capta para outros mundos. Se você tiver oportunidade nessa quarentena abuse dessa máscara. Aproveite esse tempo em casa para visitar muitos lugares, use e abuse da sua imaginação, se deixe levar pelos muitos personagens. Só vai te fazer bem ter a companhia desse velho amigão: o livro.

                                                                                                                                 LB

 

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