O avesso das coisas

capa O avesso das coisas

Senhoras e senhores, devo lhes dizer que voltei a flertar com Drummond. Não sei explicar as razões, mas nos últimos dias me peguei relendo alguns dos seus poemas, me sentindo acalentada e compreendida por sua poesia.

Recentemente, num acaso não tão acaso assim (eu não acredito em acasos), um amigo me emprestou uma coletânea de aforismos do autor, uma edição recém lançada pela Companhia das Letras do O avesso das coisas. A obra reúne pequenos pensamentos de Drummond sobre um punhado de coisas. Acho que a melhor definição para essa preciosidade literária vem próprio Drummond acerca de seus aforismos “ Assim como os antigos moralistas escreviam máximas, deu-me vontade de escrever o que se poderia chamar de mínimas, ou seja, algumas coisas que, ajustada às limitações do meu engenho, traduzisse um tipo de experiência vivida, que não chega a alcançar a sabedoria, mas que de qualquer modo, é resultado do viver. “

O livro é uma delícia de ler, quando peguei a lê-lo para valer, devorei-o numa sentada… esgotei meu estoque de post its coloridos grifando trechos e páginas que me tocaram.

Selecionei alguns, convido-o, caro leitor, a desfrutar dessa leitura…

Felicidade

>> Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade

Amor-próprio

>> Ao contrário do amor, o amor-próprio não acaba nunca

Aprendizagem

>> O tempo consumido em aprender coisas que não interessam priva-nos de descobrir as interessantes

Carta

>> Ninguém repara que, ao escrever carta, está fazendo jornalismo

Confiança

>> A confiança é ato de fé, e esta dispensa raciocínio

Diálogo

>> Dialogar é dizer o que pensamos e suportar o que os outros pensam

Homem

>> Sinto muita falta de mim quando tenho de fazer a vontade alheira

Ilusão

>> Sentimos mais a perda da ilusão do que a do relógio

Jornal

>> Pelas notícias de ontem, publicadas hoje, devemos temer o jornal de amanhã

Leitura

>> É bom ler, é ótimo ter lido

Mentira

>> A todo momento estamos pregando mentiras em nós mesmos e acreditando nelas

Saudade

>> Também temos saudades do que não existiu e dói bastante

Servidor Público

>> O servidor público deve sentir-se desgostoso ao se dar conta de que serve também a ineptos e a parasitas

Sono

>> O sono guarda as nossas angústias e decepções para devolvê-las no dia seguinte

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